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From Rio

Caba Hômi fala sobre o sabor do Pão de Açúcar.
...Estava ainda num sono recente, devido a uma noite de babá, ajudando a cuidar do meu sobrinho, quando escuto uma voz distante, gritando pelo meu nome. Delírio da minha cabeça, já que dormi pouco? Só me recordo de duas doses de Jack Daniels...

Invasão nas escolas públicas de Pernambuco

Cinco horas da manhã... Trimmmmmmmmm, esbraveja o despertador. Um barulho ensurdecedor. Em plena segunda-feira, em vez de eu dizer “Ah... Acordar para mais um dia de trabalho”, o que vem logo na mente é “Puta-que-pariu.. Que horário de corno.” Lá vou eu para a redação da TV.

Ao chegar à emissora me surpreendo por duas coisas: primeiro que não tinha nenhum defunto para fazer matéria, isso logo cedo é uma coisa inédita; segundo que peguei uma pauta um tanto diferente do tradicional da televisão. Teria que mostrar a falta de segurança nas escolas públicas – até aí tudo bem. O ponto principal seria o fardamento. Este ano todas as instituições do estado receberam uma roupa igual, ou seja, o nome das escolas foi extinto. Por tanto qualquer um que colocasse a camisa poderia ter acesso às salas de aula e corredores.

Sete horas da manhã, já estávamos nós (eu e o cinegrafista) na casa dos personagens da matéria. Um pai babão querendo aparecer na TV, e uma pirralha chata, uma pré-adolescente – já disse tudo! Qual era a idéia da redação? Que eu me vestisse de estudante, e com a farda e os livros na mão entrasse na escola. Justamente para provar o livre acesso. Como não sabia que iria fazer isso, estava vestido normalmente para trabalhar. Agora veja que cena ridícula: eu de calça social e com uma camisa do Governo.

Entrei em duas escolas no bairro de Santo Amaro, Centro do Recife. Os estudantes ficaram pensando que eu era um mauricinho, que depois de ter reprovado numa escola particular, teria que estudar ali como castigo. Acho que foi por isso que recebi olhares de indignação! Dava um bom dia, ninguém respondia. A indiferença durou pouco, até que eu me transformei num repórter... Aí vieram os sorrisos e a aproximação. A vontade que deu foi de mandar todos para casa da puta-que-pariu, todo mundo de perna arreganhada. E para acabar de lascar a diretora ainda veio empombar comigo... Mas, mas, mas...

Na rua, de frente a escola, o cinegrafista ainda conseguiu me deixar azul na imagem... Enfim, deu uma cagada. Mas, nada de mais. A merda é que tive que ir e voltar na emissora duas vezes... E na tv, tempo é ouro. No final da novela a matéria foi para ar no TV Jornal Meio-dia, e foi um sucesso. Todos gostaram e entraram no clima do jornalismo gonzo.

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